Quantas vezes Amor me tens ferido

 

Quantas vezes, Amor, me tens ferido!
Quantas vezes, Razão, me tens curado!
Quão fácil de um estado a outro estado
O mortal sem querer é conduzido!

Tal que em grau venerando, alto e luzido
Como que até regia a mão do Fado,
Onde o Sol, bem de todos, lhe é vedado.
Depois com ferros vis se vê cingido.

Para que o nosso orgulho as asas corte,
Que variedade inclui esta medida,
Este intervalo da existência à morte!

Travam-se gosto e dor; sossego e lida ...
E lei da Natureza, é lei da Sorte
Que seja o mal e o bem matiz da vida.


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

http://www.youtube.com/watch?v=Jg3N-IGWto8&feature=youtu.be

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