Qual novo Orestes entre as Fúrias brada

 

Qual novo Orestes entre as Fúrias brada,
Infeliz, que não crês no Omnipotente,
Com sistema sacrílego desmente
A razão luminosa, a Fé sagrada:

Tua bárbara voz iguala ao nada
O que em todas as cousas tens presente.
Basta que o sábio, o justo, o pio, o crente
Louve a mão contra os maus do raio armada.

Mas vê, blasfemo ateu, vê, monstro horrendo,
Que a bruta opinião que, cego, expressas,
A si mesma se está contradizendo,

Pois quando de negar um Deus não cessas,
De tudo o inerte Acaso autor fazendo,
No Acaso, a teu pesar, um Deus confessas.


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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