Os suaves eflúvios, que respira

 

Os suaves eflúvios, que respira
A flor de Vénus, a melhor das flores,
Exala de teus lábios, tentadores,
Oh doce, oh bela, oh desejada Elmir

A que nasceu das ondas, se te vira,
A seu pesar cantara os teus louvores.
Ditoso quem por ti morre d'amores!
Ditoso quem por ti, meu bem, suspira!

E mil vezes ditoso o que merece
Um teu furtivo olhar, um teu sorriso,
Por quem da mãe formosa Amor se esquece!

O sacrílego ateu, sem lei, sem siso,
Contemple-te uma vez, que então conhece
Que é força haver um Deus e um Paraíso.


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid
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