Olhos suaves, que em suaves dias

 

Olhos suaves, que em suaves dias
Vi nos meus tantas vezes empregados;
Vista, que sobre esta alma despedias
Deleitosos farpões, no céu forjados;

Santuários de Amor, luzes sombrias,
Olhos, olhos da cor de meus cuidados,
Que podeis inflamar as pedras frias,
Animar os cadáveres mirrados;

Troquei-vos pelos ventos, pelos mares,
Cuja verde arrogância as nuvens toca,
Cuja horríssona voz perturba os ares.

Troquei-vos pelo mal que me sufoca;
Troquei-vos pelos ais, pelos pesares.
Oh câmbio triste! oh deplorável troca!


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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