Oh tu consolador dos malfadados

 

Oh tu, consolador dos malfadados,
Oh tu, benigno dom da mão divina,
Das mágoas saborosa medicina,
Tranquilo esquecimento dos cuidados:

Aos olhos meus, de prantear cansados,
Cansados de velar, teu voo inclina;
E vós, sonhos de amor, trazei-me Alcina,
Dai-me a doce visão de seus agrados:

Filha das trevas, frouxa sonolência,
Dos gostos entre o férvido transporte
Quanto me foi suave a tua ausência!

Ah! findou para mim tão leda sorte;
Agora é só feliz minha existência
No mudo estado, que arremeda a morte.

Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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