Oh tranças de que amor prisões me tece

 

Oh, tranças, de que Amor prisões me tece,
Oh, mãos de neve, que regeis meu fado!
Oh tesouro! oh mistério! oh par sagrado,
Onde o menino alígero adormece !

Oh ledos olhos, cuja luz parece
Tênue raio de sol! oh gesto amado,
De rosas e açucenas semeado,
Por quem morrera esta alma, se pudesse !

Oh! lábios, cujo riso a paz me tira,
E por cujos dulcíssimos favores
Talvez o próprio Júpiter suspira !

Oh perfeições! oh dons encantadores !
De quem sóis? ...Sois de Vénus? - é mentira
Sois de Marília, sois de meus amores.

Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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