Oh Rei dos reis, oh Árbitro do mundo

 

Oh Rei dos reis, oh Árbitro do mundo,
Cuja mão sacrossanta os maus fulmina,
E a cuja voz, terrífica e divina,
Lúcifer treme, no seu caos profundo;

Lava-me as nódoas do pecado imundo,
Que as almas cega, as almas contamina;
O rosto para mim piedoso inclina,
Do eterno império teu, do Céu rotundo.

Estende o braço, a lágrimas propício,
Solta-me os ferros, em que choro e gemo,
Na extremidade já do precipício.

De mim próprio me livra, oh Deus supremo,
Porque o meu coração, propenso ao vicio,
É, Senhor, o contrário que mais temo!


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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