Oh Deus oh Rei do céu do mar e da terra

 

Oh Deus, oh Rei do céu, do mar, da terra
(Pois só me restam lágrimas, clamores)
Suspende os teus horríssonos furores,
O corisco, o trovão, que a tudo aterra.

Nos subterrâneos cárceres encerra
Os procelosos monstros berradores,
Que, enchendo os ares de infernais vapores,
Parece que entre si travaram guerra,

Para nós compassivo os olhos lança,
Perdoa ao fraco lenho, atende ao pranto
Dos tristes que em ti põem suá esperança!

Às densas trevas despedaça o manto,
Faze, em sinal de próxima bonança,
Brilhar no etéreo tope o lume santo!


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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