Odes Anacreônticas II

 

Em torno de áurea colmeia
Amor adejava um dia;
E a mãozinha introduzindo
Húmidos favos colhia:

Abelha, mais forte que eu,
Porque de Amor não tem medo,
Eis do guloso menino
Castiga o furto num dedo.

Chupando o tenro dedinho
Entra Cupido a chorar;
E ao colo da mãe voando
Do insecto se vai queixar.

Vénus carinhosa, e bela,
Diz, amimando-o no peito:
«Desculpa o que te fizeram
Recordando o que tens feito.

«O ténue ferrão da abelha
Dói menos que teus farpões;
O que ela te fez no dedo
Fazes tu nos corações.»


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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