O corvo grasnador e o mocho feio

 

O corvo grasnador e o mocho feio
O sapo berrador e a rã molesta,
São meus únicos sócios na floresta,
Onde carpindo estou, de angústia cheio:

Perdi todo o prazer, todo o recreio,
Ah, malfadado amor, paixão funesta!
Urselina perdi, nada me resta,
Madre terra! Agasalha-me em teu seio;

Da víbora mordaz permite, oh Sorte,
Que nos matos aspérrimos que piso
As plantas me envenene o ténue corte!

Ah! Que é das graças? Que é do paraíso?
A minh'alma onde está? Quem logra...oh Morte,
Quem logra de Urselina o doce riso?


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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