Néscia, vil ignorância injuriada

 

Néscia, vil ignorância, injuriada
Dos vivos, que meu estro me granjeia,
Desce aos infernos, e a calúnia feia
Bramindo extrai da lôbrega morada.

Do monstro de cem bocas escoltada
Por aqui, por ali corre, vagueia;
Em meu nome de lar em lar semeia
Agro ditério, sátira danada.

Em cínico furor me finge aceso,
Venenoso, mordaz, ímpio me chama;
Diz que o jugo de um rei, de um Deus desprezo.

Mas sempre, sobranceiro à baixa trama,
Das pátrias, justas leis me é doce o peso,
Amo a religião e aspiro à fama.


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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