Neste horrendo lugar, onde comigo

 

Neste horrendo lugar, onde comigo
Geme a consternação desanimada
E parece que volta o ser ao nada,
Equivocados cárcere e jazigo;

Aqui, onde o fantasma do castigo
Assusta a liberdade agrilhoada,
Tornam minha opressão menos pesada
Mãos providentes de piedoso amigo.

No tempo infando, na corrupta idade
Em que após o egoísmo as almas correm,
E em que se crê fenómeno a amizade.

Oiro, fervor, desvelos me socorrem
De um génio raro... Oh doce humanidade,
Tuas virtudes, tuas leis não morrem!

 

Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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