Mil poetas enfáticos e ufanos

 

Mil poetas enfáticos e ufanos,
Pintando em verso natalício dia,
Dizem voar nas asas da harmonia
Áurea chuva de hipérboles e enganos.

Dizem que, sobrepondo-se aos humanos
O objecto que o furor lhes desafia,
Há-de ver entre os risos da alegria
Sua glória sem fim, sem fim seus anos.

Desça a mentira ao último terceto
Nos outros, que eu desejo-te saúde,
Mas seres imortal não te prometo!

Só rogo a Deus que, em prémio da virtude,
Cada verso que vai neste soneto
A teu favor num século se mude.

Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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