Meus dias que já foram luzentes

 

Meus dias, que já foram tão luzentes,
Hoje da noite opaca irmãos parecem;
Meus dias miseráveis' emurchecem
Longe do gosto e longe dos viventes.

Horror das trevas, peso das correntes,
Olhos, forças me abatem, me entorpecem,
E apenas por momentos me aparecem
Rostos sombrios de intratáveis entes.

Pagam-se da rugosa austeridade;
Antolha-se-lhe um crime, um atentado
Sofrer nos corações a humanidade.

Voai, voai do Céu para meu lado,
Ah! Vinde, doce Amor, doce Amizade,
Sou tão digno de vós, quão desgraçado.


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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