Mavorte, porque em pérfida cilada

 

Mavorte, porque em pérfida cilada
O cruel moço alígero o ferira,
Não faz caso da mãe, que chora e brada,
Quer punir o traidor, que lhe fugira:

Na sinistra o pavês, na dextra a espada,
Nos ígneos olhos fuzilante a ira,
Pule à negra carroça ensanguentada,
Que Belona infernal côas Fúrias tira:

Assim parte, assim voa; eis que vê posto
No colo de Marília o deus alado,
No colo aonde tem mimoso encosto:

Já Marte arroja as armas, e aplacado
Diz, inclinando o formidável rosto:
"Valha-te, Amor, esse lugar sagrado! ".

Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

Comments