"Já por bárbaros climas entranhado"

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Já por bárbaros climas entranhado,

Já por mares inóspitos vagante,

Vítima triste da fortuna errante,

dos mais desprezíveis desprezado:

 

Da figueira esperança abandonado,

Lassas as forças, pálido o semblante,

Sinto rasgar meu peito a cada instante

A mágoa de morrer expatriado:

 

Mas ah! Que bem maior, se contra a sorte

Lá do sepulcro no sagrado hospício

Refúgio me promete a amiga Morte!

 

Vem pois, oh nume aos míseros propício,

Vem livrar-me da mão pesada e forte,

Que de rastos me leva ao precipício!

 

Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage
Editado por: nicoladavid



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