Já o Inverno, espremendo as cãs nervosas

 

Já o Inverno, espremendo as cãs nervosas,
Geme, de horrendas nuvens carregado;
Luz o aéreo fuzil, e o mar inchado
Investe ao Pólo em serras escumosas ;

Oh benignas manhãs! Tardes saudosas,
Em que folga o pastor, medrando o gado,
Em que brincam no ervoso e fértil prado
Ninfas e Amores, Zéfiros e Rosas!

Voltai, retrocedei, formosos dias;
Ou antes vem, vem tu, doce beleza
Que noutros campos mil prazeres crias ;

E ao ver-te sentirá minh'alma acesa
Os perfumes, o encanto, as alegrias
Da estação, que remoça a Natureza.

Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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