Já no calado monumento escuro



Já no calado monumento escuro.
Em cinzas se desfaz teu corpo brando;
E pude eu ver, oh Nise, o doce, o puro
Lume dos olhos teus ir-se apagando!

Hórridas brenhas, solidões procuro,
Grutas sem luz, frenético, demando,
Onde maldigo o fado acerbo e duro,
Teu riso, teus afagos suspirando.

Darei da minha dor contínua prova,
Em sombras cevarei minha saudade,
Insaciável sempre e sempre nova,

Té que torne a gozar da claridade
Da luz que me inflamou, que se renova
No seio da brilhante eternidade.


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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