Há um medonho abismo, onde baqueia

 

Há um medonho abismo, onde baqueia,
A impulsos das paixões a Humanidade;
Impera ali terrível divindade,
Que de torvos ministros se rodeia.

Rubro facho a Discórdia ali meneia,
Que a mil cenas de horror dá claridade;
Com seus sócios, Traição, Mordacidade,
Range os dentes a Inveja escura e feia.

Vê-se a Morte cruel no punho alçando
O ferro de sanguento, ervado gume,
E a toda a natureza ameaçando;

Vê-se arder, fumegar sulfúreo lume ...
Que estrondo! Que pavor! Que abismo infando
Mortais, não é o Inferno, é o Ciúme!


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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