Grato silêncio , trêmulo arvoredo

 

Grato silêncio , trêmulo arvoredo,
Sombra propícia aos crimes e aos amores,
Hoje serei feliz! Longe, temores,
Longe, fantasmas, ilusões do medo.

Sabei, amigos Zéfiros, que cedo
Entre os braços de Nize, entre estas flores,
Furtivas glórias, tácitos favores
Hei de enfim possuir: porém segredo!

Nas asas frouxos ais, brandos queixumes
Não leveis, não façais isto patente,
Que nem quero que o saiba o pai dos numes:

Cale-se o caso a Jove omnipotente,
Porque se ele o souber, terá ciúmes,
Vibrará contra mim seu raio ardente.


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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