Eu deliro, Gertrúria, eu desespero

 

Eu deliro, Gertrúria, eu desespero

No inferno de suspeitas e temores.

Eu da morte as angústias, e os horrores

Por mil vezes sem morrer tolero.

 

Pelo céu, por teus olhos te assevero

Que ferve esta alma em cândidos amores;

Longe o prazer de ilícitos favores!

Quero o teu coração, mais nada quero.

 

Ah! não sejas também qual é comigo

A cega divindade, a Sorte dura,

A vária deusa, que me nega abrigo!

 

Tudo perdi: mas valha-me a ternura,

Amor me valha, e pague-me contigo

"Os roubos, que me fez a má ventura".

 

Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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