Enquanto os bravos, os formidáveis Notos

 

Enquanto os bravos, os formidáveis Notos

Por entre os cabos trêmulos zunindo,

O fendente baixel vão sacudindo

A climas, do meu clima tão remotos:

 

Enquanto de Nereu contínuos motos

Na vacilante popa estou sentindo,

Ao meu ídolo amado, ausente e lindo

Formo nas mãos de Amor sagrados votos.

 

Mordaz tristeza o coração me corte,

Sofra tudo, ó Gertrúria, por amar-te,

Farte-se embora a cólera da sorte:

 

Mas talvez (ai de mim! ) que se não farte,

Que ou tua variedade, ou minha morte

Me roube as esperanças de lograr-te.

 

Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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