Enquanto o sábio arreiga o pensamento

 

Enquanto o sábio arreiga o pensamento
Nos fenómenos teus, oh Natureza,
Ou solta árduo problema, ou sobre a mesa
Volve o subtil, geométrico instrumento;

Enquanto, alçando a mais o entendimento,
Estuda os vastos céus, e com certeza
Reconhece dos astros a grandeza,
A distância, o lugar e o movimento;

Enquanto o sábio, enfim, mais sabiamente
Se remonta nas asas do sentido
A corte do Senhor omnipotente,

Eu louco, eu cego, eu mísero, eu perdido,
De ti só trago cheia, oh Jónia, a mente;
Do mais e de mim mesmo ando esquecido.


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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