Encantador Garção, tu me arrebatas

 

Encantador Garção, tu me arrebatas,
Audaz vibrando o plectro venusino;
Suave Albano, delicado Alcino,
Musas do terno Amor, vós me sois gratas.

Adoro altos prodígios que relatas,
Cantor da Glória, majestoso Elpino,
Tu, que, agitado de ímpeto divino,
Acesos turbilhões na voz desatas.

Oh cisnes imortais do Tejo ameno!
A carrancuda Inveja em mim não cria
Víboras prenhes de infernal veneno.

O clarão, que esparzis, me acende e guia;
Culto, incenso vos dou, quando condeno
Delírios que Belmiro ao prelo envia.


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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