Em sórdida masmorra aferrolhado



Em sórdida masmorra aferrolhado,
De cadeias aspérrimas cingido,
Por ferozes contrários perseguido,
Por línguas impostoras criminado;

Os membros quase nus, o aspecto honrado
Por vil boca e vil mão, roto e cuspido,
Sem ver um só mortal compadecido
De seu funesto, rigoroso estado;

O penetrante, o bárbaro instrumento
De atroz, violenta, inevitável morte,
Olhando já na mão do algoz cruento,

Inda assim não maldiz a iníqua
Sorte, Inda assim tem prazer, sossego, alento,
O sábio verdadeiro, o justo, o forte.


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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