Desejo iluso e vão!

 

Desejo iluso e vão! Para que traças
Quadro que imagens divinais ofrece?
A terna ausente amada me aparece,
Em céu de amores, eclipsando as Graças.

Ante a doce visão com que me enlaças,
Já murcho, estéril já, meu ser florece.
Mas súbito fantasma eis desvanece
Chusma de encantos, que em teu sonho abraças.

C’roado de cipreste o Desengano,
O meu nada me agoira... Oh dor mais forte
Do que em seu grau supremo o esforço humano!

Chorai, Piedade e Amor, tão triste sorte;
Chorai. Longe de Anália expira Elmano;
Os que a ternura uniu, desune a morte.


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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