De peito impenetrável sempre ao susto

 

De peito impenetrável sempre ao susto,
Ledo entre as armas, a folgar no p'rigo,
Oh França, teu magnânimo inimigo.
Por timbre teu, não triunfou sem custo!

Ardendo em glória o coração robusto,
Onde teve o troféu, teve o jazigo;
Nelson venceu, venceu por uso antigo,
Mas da vitória foi desconto injusto.

Bem que nadante a Gália em rubro lago
(Domando a Morte quem seus brios doma)
Crê reparar com isto imenso estrago.

Ah! Donde um Nelson cai, logo outro assoma:
Assim de heróis privando-te Cartago,
Heróis ferviam no teu seio, oh Roma!


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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