Da pérfida Gertrúria o juramento

 

Da pérfida Gertrúria o juramento

Parece-me que estou inda escutando,

E que inda ao som da voz suave e brando

Encolhe as asas, de encantado, o vento.

 

No vasto, infatigável pensamento

Os mimos da perjura estou notando.. .

Eis Amor, eis as Graças festejando

Dos ternos votos o feliz momento.

 

Mas, ah!... Da minha rápida alegria

Para que acendes mais as vivas cores,

Lisonjeiro pincel da fantasia?

 

Basta, cega paixão, loucos amores;

Esqueçam-se os prazeres de algum dia,

Tão belos, tão duráveis como as flores.

 

Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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