Bem hajas, oh Morfeu! À fantasia

 

Bem hajas, oh Morfeu! À fantasia
Que cena divinal me deste agora!
Nise, qual sai da noite a grata aurora,
Surgiu-me dentre as sombras da agonia.

Mais belo inda a saudade me fingia
O gesto encantador, que os céus namora;
Cuido que inda me afaga, que inda chora
Pranto, que morta flor viver faria.

Graças oh nume, de meus ais magoado!
Alta mercê meu coração te deve,
Por este acinte, que fizeste ao fado:

Só tua divindade a tal se atreve;
Mas ah! Que eras prazer de um desgraçado
Sempre mostraste, oh sonho, em ser tão breve.

Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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