Aqui onde arquejando estou curvado



Aqui, onde, arquejando, estou curvado
A lei, pesada lei, que me agrilhoa,
De lúgubres ideias se povoa
Meu triste pensamento horrorizado.

Aqui não brama o Noto anuviado,
O Zéfiro macio aqui não voa,
Nem zune insecto alígero, nem soa
Ave de canto, alegre ou agoirado.

Expeliu-me de si a Humanidade,
Tu, astro benfeitor da redondeza,
Não despendes comigo a claridade.

Só me cercam fantasmas da tristeza.
Que silêncio! Que horror! Que escuridade!
Parece muda ou morta a Natureza.


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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