Ao Crebro Som Do Lúgubre Instrumento

Ao crebro som do lúgubre instrumento
Com tardo pé caminha o delinqüente;
Um Deus consolador, um Deus clemente
Lhe inspira, lhe minora o sofrimento.

Duro nó pelas mãos do algoz cruento
Estreitar-se no colo o réu já sente;
Multiplicada a morte, anseia a mente,
Bate horror sobre horror no pensamento.

Olhos e ais dirigindo à Divindade,
Sobe, envolto nas sombras da tristeza,
Ao termo expiador da iniqüidade.

Das leis se cumpre a salutar dureza;
Sai a alma dentre o véu da humanidade,
Folga a justiça e geme a natureza!


Autor:
Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid


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