Amigo Frei João cuidas que é barro

 

Amigo Frei João, cuidas que é barro
O fumoso tabaco por que berro?
Um nigromante me transforme em perro,
Se há coisa para mim como o cigarro!

Ele me arranca pegajoso escarro,
Que nas fornalhas deste peito encerro.
O frio, as aflições de mim desterro,
Quando lhe lanço mão, quando lhe agarro.

De vício tal, se é vicio, não me corro.
E só tomo rapé, simonte ou esturro,
Quando quero zangar algum cachorro.

Amigo Frei João, não sejas burro;
Dize bem do cigarro; senão, morro.
Traze-me lume já, ou dou-te um murro!


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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