Adeus, coração, vai ter aos lares

 

Adeus, coração, vai ter aos lares,

Ditosos lares, que Gertrúria pisa.

Olha, se inda te guarda a fé mais lisa,

Vê, se inda tem pesar dos teus pesares.

 

No fulgor de seus olhos singulares

Crestando as asas, tua dor suaviza,

Amor de lá te chama, te divisa,

Interpostos em vão tão longos mares.

 

Dize-lhe, que do tempo o leve giro

Não faz abalo em ti, não faz mudança,

Que ainda lhe és fiel neste retiro.

 

Sim, pinta-lhe imortal minha lembrança.

Dá-lhe teus ais, e pede-lhe um suspiro,

Que atente, coração, tua esperança.

 

Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

Comments