A Um Velho Maldizente

 

Quem se vê maltratado e combatido,
Monstro dos monstros, fúria dos Infernos,
Que em vil murmuração, ralhos eternos
Estragas sem descanso a noite e o dia;

Tu, que nas horas, em que o mocho pia,
Caluniaste meus suspiros ternos,
Sacode a carga de noventa Invernos
Nas descarnadas mãos da Morte fria.

Cai de chofre no Báratro profundo,
Cai nas entranhas da voraz fornalha,
Deixa em sossego o miserável mundo!

E entre a maldita, réproba canalha,
Lá bem longe de nós, lá bem no fundo,
Arde, murmura, amaldiçoa e ralha!


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

Comments