A Ulina

Da miseranda Ignês o caso triste,
Nos tristes sons, que a mágoa desafina,
Envia o terno Elmano à terna Ulina,
Em cujos olhos seu prazer consiste.

Paixão, que, se a sentir, não lhe resiste
Nem nos brutos sertões Alma ferina,
Belleza funestou quase divina,
De que a memória em lágrimas existe. 

Lê, suspira, meu bem, vendo um composto
De raras perfeições aniquilado
Por mãos do Crime, à Natureza oposto.

Tu és cópia de Inês, encanto amado,
Tu tens seu coração, tu tens seu rosto...
Ah! Defendam-te os Ceos de ter seu Fado!


Autor:
Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid


Comments