A lva Gertrúria minha, a quem saudoso

 

A lva Gertrúria minha, a quem saudoso
Mando trémulos ais enternecidos;
Gertrúria, que encantaste os meus sentidos
Cum meigo riso, cum olhar piedoso:

Amor, o injusto Amor, nume doloso,
insensível penedo a meus gemidos,
Me exala sobre os tímidos ouvidos
Estas vozes cruéis em tom raivoso:

"Tu, que já desfrutaste os meus favores,
tu, que na face de Gertrúria bela
Néctar bebeste, mitigaste ardores,

Não tornarás, não tornarás a vê-la:
lamenta, desgraçado, os teus amores,
Acusa, desgraçado, a tua estrela."

Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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