A frente que de loiro ergui cingida

 

A frente, que de loiro ergui cingida,
Ufana do louvor e da inocência,
Jaz, por efeito de hórrida aparência,
Curvada pelo opróbrio e denegrida.

De mil gratos objectos guarnecida,
Rutilava a meus olhos a existência;
Hoje, amável Prazer, na tua ausência
Parece aos olhos meus um ermo a vida.

De quantas cores se matiza o Fado!
Nem sempre o homem ri, nem sempre chora,
Mal com bem, bem com mal é temperado;

Os estados variam de hora em hora;
Sábio o mortal, que em um, que me outro estado
(Disposto a tudo) a Providência adora!


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

Comments