"Vilancete"

 
 
 
 
Antre mim mesmo e mim
nam sey que s’aleuantou.
que tam meu ymiguo sou.

 

Hūs tēpos cõ qrãd’ēquano
viuy eu mesmo comiguo,
agora no mor periguo,

se me descobre o mor dano.
Caro custa hū
 desenguano,

e poys n’este nam matou,
quam caro que me custou!

 

De mym me sou feyto alheo.
antro cuydado e cuidado,
estaa hū mal derramado,

que por mal grande me veo.
Noua dor, nouo rreçeo

foy este que me tomou:

assy me tem. assy estou.

 

 

Autor: Bernardim Ribeiro (1452-1552)
Editado por: nicoladavid

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