Sobre os atributos da Carmelita

 

Ó cara veste de burel,

Pobre e tão simples pano,

Apesar de tua fazenda dura,

Como me pareces bela!

Véu branco que me lembras

Uma aurora doce e bela,

O dia em que o doce Salvador

Tomou posse de meu coração.

Ó pobre e simples rosário,

A mais bela das jóias,

Dos terços o mais belo,

De muito te prefiro.

Com tua imensa cruz

E tuas pobres contas de madeira,

Quando serás meu ornamento

Não deixando nunca a minha cintura?

Ó vinde mortificar minha carne,

Vós já me sois caros,

Duros objetos de repugnância,

Para quem não ama o sofrimento.

E tu, pobre e caro anel,

Tu me pareces o selo

Das eternas promessas

Que fiz a meu Senhor,

Em minha santa e pura embriagues,

Dia de alegria e de dores.

Enfim, pequena cela,

Pobre quarto minúsculo,

Ó querida prancha de madeira,

Quando dormirei sobre ti.

Ó minha preciosa libré,

E vós todos, caros atributos,

Santa pobreza de Deus,

Ó feliz mosteiro,

Vós me pareceis sobre a Terra

Um cantinho dos Céus.

Autora: Beata Elisabeth da Trindade (1880-1906)
Editado por: nicoladavid

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