A Imaculada Conceição

 

É A Imaculada Conceição,

A grande festa de Maria,

O sino em alegre carrilhão,

Ó piedosos peregrinos, vos convida.

À gruta de Nossa Senhora

De Lourdes, neste canto dos Céus,

Onde passa o sopro de Deus

Como uma ardente e pura chama.

Ó vós todos os que orais a Maria

Neste piedoso, neste belo vale,

Bendito depois da aparição,

Como, como vos invejo!

Como seria minha alma feliz

Em saborear estas alegrias misteriosas,

Doce antegozo das alegrias do Céu

Do lugar divino, eterno.

Visto que não tenho a felicidade

De orar à Virgem Maria

Na gruta piedosa e bendita,

Lugar privilegiado de seu Coração.

Que sempre faz sonhar com o Céu,

Ao menos irei orar a minha mãe

Na Capela solitária

De meu querido, bem-amado Carmelo.

Nesta piedosa solidão,

Oferecerei meus prantos, meus suspiros,

Minhas tristezas, minhas inquietações

A esta rainha dos mártires.

A esta Virgem das dores

Que verteu tão tristes prantos,

Cuja admirável e santa vida

Não foi senão uma longa agonia!

Oh, lembra-te disso, este Verão,

Nesta gruta misteriosa,

Sempre recolhida e tão piedosa,

Confiei-te minha pureza!

Dizia-te: Guarda o meu coração,

Trabalha-o para o Salvador,

Purifica-o pelo sofrimento,

Virgem em quem coloco minha confiança.

Oh, pedi-te cruzes

Para me assemelhar a ti, ó minha mãe,

Para me assemelhar ao divino rei,

Ao qual aspiro agradar.

Confiei-te as esperanças

Que faziam bater meu coração,

Dizia-te de minha impaciência

Em deixar tudo pelo Salvador.

Depois em tuas mãos com confiança,

Ó Maria, ó minha esperança,

Abandonei todos os meus desejos,

Minha vocação, meu futuro.

Sentia-me mais corajosa

Ao deixar este belo canto dos Céus,

Onde fui tão feliz

Em passar estes dias deliciosos.

Com uma viva impaciência,

Uma inquebrantável confiança,

Esperarei que o Bem-Amado

Manifeste Sua vontade.

E tu, Maria Imaculada,

Virgem que tanto invoquei

Vem em meu socorro, ajuda-me,

Levemos juntas esta Cruz.

Depois escuta esta oração,

Virgem, é o grito de meu coração:

Recomendo-te minha mãe,

Ah! Que ela ignore minha dor!

Faze que seja eu a única a sofrer,

Sempre só em minha angustia,

E santificarás estas lágrimas

Ó tu, Rainha dos mártires.

Autora: Beata Elisabeth da Trindade (1880-1906)
Editado por: nicoladavid

Comments