Contrição

 

Não sei a quanto mal dei eu motivo,
Danos que fiz e prantos que causei;
Mas se homem sou e, se entre os homens vivo,
Vivo do erro sujeito à humana lei.

Soberbo fui, querendo ser altivo?
Quis ser justo e o inocente castiguei?
Fui, servindo à maldade, ao bem, nocivo?
- Vivo e vivi. É tudo quanto sei.

Quem há que os rumos do destino mude?
Dependesse de mim, fora eu feliz
Na divina volúpia da virtude.

Não me castigarás, sereno juiz,
Pelo bem que não fiz porque não pude,
Nem pelo mal que sem querer eu fiz.

Autor: Bastos Tigre (1882 - 1957)
Editado por: nicoladavid

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