Sonetos para o Serra

 



Mandou-me o Serra poesia extensa 
Versos piegas de consolação, 
Poema grávido de esperança imensa 
Um largo aceno pra conformação. 

Ora, a realidade é confusão 
Por mais que nos console a tua crença, 
A miséria do mundo é maldição 
Que não permite nenhuma indiferença. 

Constato no poema o que eu já disse: 
Se é certo que a divindade existe 
Está cego pros males que há na Terra. 

O mundo jaz no mal? Que sorte triste!!! 
Procuro paz no mundo e vejo é guerra 
Não vejo o amor de que me fala o Serra. 

II 

Revolvo o tempo e desde a antiguidade 
Vejo o mundo mergulhado em maldições, 
Amor e paz não passam de ilusões 
Esperança sem fim da humanidade. 
Não vejo nos semblantes caridade, 
Somos lobos de atrozes corações, 
No mundo as mais estranhas perversões 
São sorvidas com naturalidade. 

A bondade o bom Serra quer que eu veja 
Na fera humana que em vão peleja 
Debaixo de uma eterna maldição. 

Até Jesus faliu nessa missão, 
Mesmo o “bom” Deus negou-lhe compaixão... 
Nisso faliu também a própria Igreja. 

III 

O que é bom dura pouco, o mal persiste 
Sem dó, sem piedade, sem clemência 
Um olha o outro já com o dedo em riste 
E sem um pingo de benevolência. 

Sei que o cristianismo não resiste 
Ao exame detido da ciência, 
Porém, enquanto mata, o homem insiste 
Que está matando pra fazer clemência. 

Entredevoram-se os homens com maldade, 
Somos todos discípulos de Sade, 
Amar é verbo de pompa... e circunstância. 

Quem dá a outra face de verdade? 
Quem ama o que não traz felicidade? 
Onde mora, de fato, a Tolerância? 

Autor: Barros Alves
Editado por: nicoladavid

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