No Céu

 

Depois subi ao céu e a Divindade 
Disse-me logo que não me refuta, 
Pois nunca confiou na Cristandade 
E acha que a Igreja é mui fajuta. 

A trôpega e infiel humanidade 
Disse ter feito mesmo vil e bruta. 
E O vi irradiar felicidade 
Entre bêbados, ladrões e prostitutas. 

No céu não vi nenhuma majestade, 
Não vi príncipe, princesa, não vi rei, 
Não vi o Papa nem a sua grei. 

Lá vi a plebe vil da humanidade, 
Vi malandros, famintos – já nem sei! 
Vi os sem-terra, os sem-teto e os sem-lei... 

Autor: Barros Alves
Editado por: nicoladavid

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