A Um Mendigo

 

Hoje eu senti a dor que abrasa os entes 
Exposta em face exangue e mui sofrida; 
Eu vi a dor que dilacera a vida, 
Olhar de angústia, magras mãos trementes. 

Vi de perto a miséria dos viventes 
Sem pão, sem teto; alma combalida 
A transportar a vida mal vivida 
Dos desgraçados. Miseráveis gentes! 

Acercou-se de mim. Pobre mendigo! 
Mão estendida, triste olhar pedinte 
Como se nem mais Deus lhe fosse ouvinte. 

Desventura voz! Eu não consigo 
Esquecê-la jamais. Voz que consome: 
- Uma esmola, senhor, pois tenho fome...

Autor: Barros Alves
Editado por: nicoladavid

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