A Dádiva da Chuva

 

Sóis frementes se espargem sobre as frontes 
Tornando a dor um gesto polissêmico. 
A terra está crestada, o ar endêmico; 
Brotam suores como brotam fontes. 

É delírio febril de mil amantes, 
É a face de um deus duro e polêmico, 
É a ira de um ser esquizofrênico 
Contra os sonhos de povos arquejantes. 

Mas, na terra de gente tão sofrida 
Onde a busca se faz em bruta lida 
Surge um raio de luz onde é sombrio. 

De surpresa cai chuva e surge a vida 
Fenecendo o calor de fero estio. 
E a terra, então crestada, entra no cio. 

Autor: Barros Alves
Editado por: nicoladavid

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