Nunca

 

Erguei até à fronte em noite escura,

duma lâmpada, acesa, a luz arfante.

Em torno a vós, baila uma sombra escura

e a luz vai projetar-se para avante.

 

Sustendo a lâmpada a igual altura,

correi depois para essa luz brilhante;

a treva, aos vossos pés corre segura,

e a luz sempre a fugir sempre distante. . .

 

Poetas! Eis aqui simbolizada

na sombra, a nossa mágoa inominada,

na luz, o além, como um clarão no mar...

 

Na sombra, a permanente, a eterna dor,

na luz, a aspiração dum grande amor

que nunca, nunca havemos de alcançar...

 

Autor: Augusto Gil (1873-1929)

Editado por: nicoladavid

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