Magnificat!

 

A minha alma engrandece,

Glorifica o Senhor!

 

E todo o meu espírito estremece

E crepita e exulta e resplandece

Em Deus, meu Salvador!...

 

Beijo de orvalho na folhinha de erva,

Baixou Deus da vertigem do infinito

Por sobre mim, sua humilhada serva,

A eterna luz do seu olhar bendito...

 

E fiquei para sempre iluminada

Nesse piedoso e límpido clarão!

E hão-de chamar-me bem-aventurada

Sempre! De geração em geração...

 

O seu nome é sagrado:

E o seu poder que nunca terá fim

(Por ter em mim poisado)

Não vistas maravilhas fez em mim!

 

E aos que o temem e a quem dele implora

Misericórdia e protecção clemente,

Deus encaminha-os — pela vida fora

E sempre, eternamente...

 

Manifestou a força do seu braço

E aos vãos, aos de orgulhoso pensamento,

Desfê-los — como a poeira, pelo espaço,

No turbilhão do vento... 

 

Derruiu tronos e reis — pô-los de rastros...

 — E aos humildes ergueu-os para os astros!

Deixou os ricos sem riqueza e nome

— E encheu de bens os que sentiam fome!

       

Com desvelado e carinhoso amor,

Protegeu Israel, seu servidor.

                                                

Marcou-lhe os firmes passos com sinais

De Bênçãos e clemência,

Conforme prometera a nossos pais,

A Abraão e a toda a sua descendência...

 

E eis que será perpetuamente assim

Nos séculos dos séculos sem fim!...


Autor: Augusto Gil (1873-1929)

Editado por: nicoladavid

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