Sonho de um Monista

 

Eu e o esqueleto esquálido de Esquilo

Viajávamos, com uma ânsia sibarita,

Por toda a pró-dinâmica infinita,

Na inconsciência de um zoófito tranqüilo.

A verdade espantosa do Protilo

Me aterrava, mas dentro da alma aflita

Via Deus — essa mônada esquisita —

Coordenando e animando tudo aquilo!

E eu bendizia, com o esqueleto ao lado,

Na guturalidade do meu brado,

Alheio ao velho cálculo dos dias,

Como um pagão no altar de Proserpina,

A energia intracósmica divina

Que é o pai e a mãe das outras energias!


Autor: Augusto dos Anjos (1884 – 1914)

Editado por: nicoladavid

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