Soneto - Agregado infeliz de sangue e cal

‘Ao meu primeiro filho nascido

morto com 7 meses incompletos

2 fevereiro 1911.’

 

Agregado infeliz de sangue e cal,

Fruto rubro de carne agonizante,

Filho da grande força fecundante

De minha brônzea trama neuronial,

Que poder embriológico fatal

Destruiu, com a sinergia de um gigante,

Em tua morfogênese de infante

A minha morfogênese ancestral?!

Porção de minha plásmica substância,

Em que lugar irás passar a infância,

Tragicamente anônimo, a feder?...

Ah! Possas tu dormir feto esquecido,

Panteisticamente dissolvido

Na noumenalidade do NÃO SER!

Autor: Augusto dos Anjos (1884 – 1914)

Editado por: nicoladavid

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