O Lázaro da Pátria

 

Filho podre de antigos Goitacases,

Em qualquer parte onde a cabeça ponha,

Deixa circunferências de peçonha,

Marcas oriundas de úlceras e antrazes.

 

Todos os cinocéfalos vorazes

Cheiram seu corpo. À noite, quando sonha,

Sente no tórax a pressão medonha

Do bruto embate férreo das tenazes.

 

Mostra aos montes e aos rígidos rochedos

A hedionda elefantíase dos dedos...

Há um cansaço no Cosmos... Anoitece.

 

Riem as meretrizes no Casino,

E o Lázaro caminha em seu destino

Para um fim que ele mesmo desconhece!


Autor: Augusto dos Anjos (1884 – 1914)

Editado por: nicoladavid

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